Covid-19: Argentina recomenda sexo virtual durante quarentena - Opinião Manauara

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Covid-19: Argentina recomenda sexo virtual durante quarentena


Nesta sexta-feira (17), dois assuntos vinculados ao combate do novo coronavírus dominaram o noticiário argentino. O prefeito da cidade de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, apresentou uma iniciativa controversa que obrigará as pessoas com mais de 70 anos a pedirem autorização cada vez que precisarem sair de casa. Por sua vez, um infectologista do Ministério da Saúde recomendou o sexo com pessoas que já sejam da convivência e não com novos parceiros.
“Existe pouca informação hoje se o vírus pode ser transmitido por via sexual. Está claro que sim pelo beijo. Mas é muito provável que possa ser transmitido através do sexo oral e anal. O distanciamento social é a medida preventida mais segura contra o novo coronavírus. Temos que evitar o cara-a-cara e isso inclui o sexo com as pessoas com as quais não convivemos”, disse o infectologista José Barletta.
As declarações do especialista foram realizadas durante a entrevista diária das autoridades do Ministério da Saúde que apresentam balanço da situação do novo coronavírus na Argentina. Barletta, especialista convidado para o encontro, disse que o melhor, neste momento, seria recorrer ao sexo virtual, a masturbação e ao sextexting como alternativas. Ele também orientou lavar mãos, partes do corpo e objetos a cada pratica para evitar o vírus.
Se as declarações do especialista foram vistas como educativas ou curiosas, o mesmo não ocorreu com a determinação do prefeito de Buenos Aires Horacio Rodríguez Larreta para que as pessoas com mais de 70 anos tenham que pedir autorização para sair de casa.
Cada pessoa da terceira idade deverá telefonar para um número habilitado pela prefeitura e explicar o que precisa fazer na rua. A cidade tem cerca de 500 mil pessoas com mais de 70 anos. E a previsão das autoridades locais é que 40 mil saíam todos os dias, antes da era da quarentena nacional iniciada no dia 20 de março. O argumento do prefeito e das autoridades da Secretaria de Saúde é que estas pessoas receberão ajuda para, por exemplo, as compras no supermercado ou na farmácia. Com a autorização para sair, caso não aceitem este tipo de assistência, elas terão um código que permitirá que façam suas compras ou outra atividade fora de casa. A autorização dura apenas 24 horas.
A reação contra a iniciativa incluiu políticos e artistas com mais de 70 anos de idade. “Isso é um abuso. Uma falta de respeito e é contra a nossa dignidade. É uma medida absurda e impraticável”, escreveu no Clarín a ex-senadora e ativista de direitos humanos Graciela Fernández Meijide, de 89 anos, que tem um programa de rádio e participa de debates políticos no país.
O especialista em história da arte e professor da Universidade San Martín José Emilio Burucúa disse que o governo de Buenos Aires está tratando as pessoas com mais de 70 anos como “retardadas”. E mandou uma foto para seus amigos com uma estrela amarela de David simbolizando a repressão do nazismo contra a população judaíca. A estrela tinha as palavras ‘+70’. Para ele, a medida é “uma forma escandalosa de discriminação”.
A medida ainda promete gerar polêmicas. Quando começou a ser divulgada, na quinta-feira (16), incluía a previsão de multas para as pessoas com mais de 70 anos que saíssem às ruas. Os castigos foram eliminados, mas os controles não.
O argumento oficial é que oito em cada dez pessoas falecidas por coronavírus na cidade têm mais de 70 anos. Mas os que estão neste faixa etária disseram que são responsáveis para decidir sobre seus atos.

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