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Ex traficante, ‘vovó do pó’ volta a cadeia para evangelizar detentos




“As pessoas acham que traficantes têm mansão. Minha riqueza é Jesus. Não tenho mais nada que o tráfico me deu"... esse é o relato de Leida Gabriel, 68 anos, que hoje vive uma vida em liberdade e em um propósito de cumprir sua missão nos seus últimos 17 anos: levar a palavra de Deus a prisões e hospitais.


Nas décadas de 1970 e1980, antes da chegada do crack a BH, ela era uma das poucas mulheres a participar do lucrativo negócio de drogas, controlado por homens e adolescentes usados como aviõezinhos para repassar os produtos aos clientes. 


Era a época da maconha, do haxixe, da cocaína. Não existia a maldita da pedra. Cheguei até a emprestar a cozinha da casa como laboratório (de refino da cocaína)”, revela.



Condenada por tráfico de entorpecentes, porte de armas, formação de quadrilha e tentativa de homicídio, Leida cumpriu pena na Penitenciária Feminina de Santana, em São Paulo. Não deve mais nada. Por onde anda, leva a tiracolo a Bíblia e uma pasta onde estão os registros de internação no Hospital Galba Velloso, em BH, e as fotos dos tempos de traficante (quando chegou a pesar menos de 50 quilos e a perder os cabelos).


Foi somente em 2000,  que ela tomou coragem para deixar as dependências da antiga Rua 18, que funcionava como ponto de droga, e seguiu em direção à igreja. Em 2002, desceu nas águas do batismo, como ela mesma diz, depois de enfrentar internações e recaídas. Há nove anos está totalmente limpa, depois de 44 anos de convívio com as drogas. 


“ Não devo mais nada para a Justiça e quem tem de me julgar é Deus. Só ele pode dizer se passei por essa experiência para que hoje pudesse ajudar a resgatar mais almas.”


A própria igreja a convocou para fazer os trabalhos dentro do presídio e levar  a palavra de Deus a  outros detentos.Nas visitas, Leida conta sua história sem vergonha ou remorso: tudo que aconteceu foi para que ela se encontrasse na religião.


Converso com os presos na mesma linguagem das ruas, mas levo também a palavra de Cristo."


Leida agora planeja visitar outras cidades para cumprir sua missão e levar sua história de superação para outras pessoas. 


"Abasteço sim as bocas de Belo Horizonte. Abasteço com a palavra de Deus." Quando alguém lhe chama pelos apelidos do passado, quando era conhecida como Vovó do Pó ou Baiana, Leida não gosta. Se alguém chega com a brincadeira, ela reclama, mas responde bem humorada: "Sou Leida Gabriel. Pó agora, só o de café".





Com informações: Tab uol

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