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Unimed Manaus promove rodas de conversa sobre prevenção e cuidados com a saúde mental

 De 14 a 17 de setembro, psicólogas da Cooperativa Médica estarão conversando com os colaboradores e usuários, nos setores de UTI, blocos de internações, centrais, de consultórios e de serviços


A partir desta terça-feira (14/9), colaboradores e usuários da Unimed Manaus terão a oportunidade de participar de rodas de conversa sobre causas e sintomas da depressão, ansiedade e outras formas de transtornos mentais que podem levar ao suicídio. As rodas de conversa fazem parte da programação da campanha “Setembro Amarelo”, dedicada à prevenção e conscientização contra o suicídio. 

“É importante conhecer as causas, para saber identificar possíveis sinais de transtornos nos nossos colegas, na nossa família e, principalmente, em nós mesmos. Saber quando é que precisamos buscar ajuda. Afinal, a gente passou por uma pandemia, diariamente convivemos com morte, perdas, dores familiares, pessoais”, pondera a enfermeira Jéssica Jaques, do Núcleo de Educação Permanente, que em parceria com a também enfermeira Jaqueline Onofre, do programa Viver Bem, coordena a programação do “Setembro Amarelo”, na Unimed Manaus.

Jéssica Jaques destaca ainda que existe um leque de situações que desencadeiam transtornos emocionais, mentais, que acabam levando as pessoas ao gesto extremo de cometer esse ato, mas, afirma, que se todas essas situações forem percebidas, se quem estiver sofrendo, se der conta de que precisa pedir ajuda, é possível superar.  

“Muitas vezes você está com os sintomas, mas não percebe que precisa de ajuda. Então, quando você se depara com um evento como esse e, com especialistas tratando sobre o assunto de forma impessoal, indireta, você percebe que precisa e pode pedir ajuda, ou mesmo tem o estalo de que alguém próximo está passando por esta situação”, afirma Jéssica Jaques, lembrando que, muitas vezes, por conta do preconceito, muitas pessoas que sofrem de depressão, por exemplo, acabam escondendo o que estão passando, por medo de serem rejeitas, criticadas.

Nesse sentido, além das rodas de conversas, durante toda a campanha do “Setembro Amarelo”, colaboradores, usuários e familiares de pacientes internados nas unidades de saúde da Unimed Manaus, que forem às centrais de Serviços e de Consultórios, terão acesso a caixas coletoras, espalhadas estrategicamente, onde poderão depositar, por escrito, seu pedido de ajuda.  

“Esses bilhetinhos serão abertos apenas pelas psicólogas, para que elas possam procurar essa pessoa, de forma sigilosa, e ajudá-la”, informa a enfermeira Jaqueline Onofre, do Viver Bem. Segundo ela, também haverá uma “árvore do pensamento”, instalada em alguns pontos estratégicos do hospital, onde as pessoas poderão, de forma anônima, expor seus sentimentos ou deixar um bilhetinho de motivação. 

Segundo Jéssica Jaques, aquele colaborador que durante a programação se identificar com alguns dos sintomas e características dos transtornos que estarão sendo abordados pelas psicólogas, receberá ajuda profissional, gratuitamente, “Os profissionais da saúde, de todas as áreas, estão no seu dia a dia, vivendo a dor dos outros, chegam em casa, tem a dor de seus familiares. A sobrecarga é muito grande, então, trazer sempre essa temática para eles, é uma forma de dizer que nos importamos, que estamos aqui para acolhe-los, que somos uma família”, enfatiza.

Fadiga de compaixão

A programação da campanha “Setembro Amarelo” organizada pela Unimed Manaus, foi aberta oficialmente na sexta-feira (10/9) no auditório Osvaldo Gesta, do complexo hospitalar da cooperativa médica, localizado na Avenida Constantino Nery. A convidada especial foi Ingrid Melo, voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Falando para um grupo multiprofissional de saúde, Ingrid afirmou que a fadiga de compaixão é uma das situações mais comuns dentro do ambiente hospitalar e que, os profissionais de saúde passam muitíssimo tempo em contato com a dor, em contato com o sofrimento, e por isso, a fadiga de compaixão acaba acontecendo, o que de certa forma, acaba desumanizando esse profissional.

Ela destacou também a importância de as organizações promoverem momentos integração com seus colaboradores para falar sobre o tema. “Ter momentos como esse, de pausa, para falar sobre a nossa saúde mental, para falar que a gente pode sim falar de vulnerabilidade, que a gente pode sim dizer que são tempos difíceis, desafiadores e que as vezes a gente precisa de pausas, é extremamente importante, no ambiente da saúde”, disse.

Ingrid Melo parabenizou a Unimed Manaus pela iniciativa de realizar uma semana de rodas de conversa com seus colaboradores e usuários sobre saúde mental.  “Em momento como esse, e a rodas de conversa, que a Unimed Manaus proporciona aos seus profissionais, a gente pode trabalhar a nossa confiança, nossos laços de amizades profissionais, falamos sobre nós mesmos, de forma de segura. A gente passa a trabalhar muito mais focado. Focado no que pode estar errado ali, na beira leito, naquela UTI. Seja entre nós, enquanto profissionais, seja realmente com o usuário do serviço”, afirmou Ingrid. 

Segundo a voluntária do CVV, o ambiente hospitalar é muito desafiador, porque o profissional precisa estar permanentemente usando uma capa de herói. “Quando a gente coloca uma capa de herói, isso significa dizer que a gente não tem tempo de ser gente. E ter tempo de ser gente é, exatamente, o que nos humaniza, o que nos aproxima do outro, que faz com que a gente conecte nossos sentimentos e que a gente viva relações mais confiantes”, enfatizou Ingrid.

De acordo com Ingrid Melo, a saúde mental precisa ser tratada todos os dias, nas organizações, pelo poder público, em família, não apenas em campanhas pontuais. “A gente precisa ter 365 dias voltados para tratar sobre saúde mental, porque depressão ocorre todo dia, ansiedade, ocorre todo dia, para quem sofre desses transtornos”, argumentou.


Sobre o CVV

O Centro de Valorização da Vida é um serviço de apoio emocional, que tem por objetivo poiar as pessoas com necessidade de ajuda emocional e em locais e situações de risco, ajudando-as a lidar com as realidades cotidianas e inesperadas em qualquer lugar da comunidade.

O atendimento é gratuito, 24h, por meio do telefone 188. O CVV também está em todas redes sociais digitais.

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