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Venezuelano que trabalhava no semáforo passa no exame da OAB em Manaus

 Advogado, mestre em Direito Penal e Criminologia e especialista em Direito Penal e Processo Penal, o venezuelano Eliud Rafael Blanco reescreveu sua história de vida no Amazonas, revalidando seu diploma na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) tornando-se o primeiro venezuelano, dos que imigraram para o Brasil desde 2015, a ser aprovado na avaliação da Ordem no Amazonas.

Residente no Brasil desde outubro de 2017, Eliud veio com a esposa Jennifer, deixando dois filhos, de cinco e nove anos, com parentes na Venezuela, abandonando uma vida tranquila no país dele após a crise política e econômica.  

De acordo com ele, tinha duas opções, deixar tudo para trás e começar do zero, ou então virar corruptor. A escolha do Brasil deu-se por ver que era um país cheio de oportunidades, e porque não tinha muitos recursos para chegar na Europa ou nos Estados Unidos.

VENDEDOR

Como a maioria dos venezuelanos, entrou no Brasil por Boa Vista (RR), onde começou a trabalhar em um semáforo vendendo sucos, dindin e coco gelado, além de consertar sapatos. O dinheiro ganho era enviado para a família na Venezuela. 

Eliud e Jennifer vieram para Manaus diante da grande concorrência naquele estado em 2018, cinco meses após a entrada no território nacional. Conseguiu um local para trabalhar como sapateiro, no Centro e depois venceu um dos primeiros obstáculos encontrados, o idioma, dedicou-se com afinco. 

EXAME DA ORDEM

Por meio de um amigo pastor, procurou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM) onde sensibilizou a diretoria com sua história, ganhou uma vaga para trabalhar no Tribunal de Ética, como auxiliar administrativo na OAB. Ali teve a oportunidade de validar o seu diploma de Direito no Brasil, quando procurou a Ufam. 

Após cursar duas disciplinas práticas da Faculdade de Direito por dois períodos, em 2020 conseguiu ter o seu diploma validado no País. Depois, fez, na última segunda-feira, 6, fez o exame da ordem quando se tornou o primeiro venezuelano (dos que imigraram para o Brasil desde 2015) a ser aprovado na avaliação da Ordem no Amazonas.

Agora, com a família no Brasil e com permissão de trabalho em sua área, Eliud quer fazer concurso para advogar ou dar aulas e poder retribuir o que tem recebido no Brasil.

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