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Gerente de loja é suspeito de forjar entrevista de emprego para assediar mulheres

O gerente de uma loja de roupas e artigos esportivos é acusado de assédio sexual durante entrevistas de emprego. Segundo denúncias, o suspeito fingia estar entrevistando as vítimas para cometer os abusos. o caso aconteceu em um aloja no Rio de Janeiro.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro que investiga o caso, informou que até o momento, apenas uma suposta vítima registrou o caso, entretanto, em um grupo de aplicativo de conversas, quatro mulheres já relataram casos semelhantes.

De acordo com as mulheres, o gerente da loja, fingia estar entrevistando e fazia várias  tentativas de beijo forçado, além de agarrá-las contra a parede, tocar em suas partes íntimas e fazer perguntas pessoais que não fazem parte de uma entrevista de emprego convencional.

Entre as perguntas indiscretas, segundo a denúncia, o gerente quis saber das candidatas:

Se elas bebiam;

se elas fumavam maconha;

qual era a “coisa mais louca que elas fizeram”;

se elas já tinham feito “ménage”;

o que elas fariam para conseguir aquele emprego;

e se as jovens “viviam intensamente”.

Uma das vítimas relatou, “Ele fez essas perguntas pra mim na entrevista e eu ali sem entender. Me senti muito desconfortável, mas eu estava precisando do emprego. Então eu engoli como sapo e segui em frente”, contou uma jovem que não quis revelar sua identidade.

De acordo com os relatos, o gerente já tinha feito o mesmo com outras garotas que procuravam pela vaga de vendedora na loja.

Uma das vítimas contou que viu o anúncio em uma rede social e foi até o local com seu currículo na mão e a esperança de voltar a trabalhar. Ao chegar na loja, ela foi recebida pelo gerente, que a levou até a sala de entrevista, uma área no terceiro andar da loja onde não existem câmeras de segurança, segunda a mulher. E teria sido nesse momento que o rapaz fez as perguntas indiscretas.

Diante do constrangimento, a jovem foi levada para o salão da loja e em seguida para o estoque, onde o gerente mostraria onde ficavam as roupas e peças que seriam vendidas. Na sequência, ele teria chamado a jovem para o segundo andar do local.

“No segundo andar tem um banheiro, um local onde as pessoas comem e um espaço tipo um quartinho. Lá, ele me perguntou se eu vivia intensamente e se eu tinha regras. Ai ele me perguntou se eu já tinha dado um abraço no gerente. Eu dei um abraço nele já super desconfiada. E nesse momento ele me pressionou na parede e ficou tentando me beijar. Nessa hora, um outro vendedor passou pra ir no banheiro e ele me largou. Só que ele saiu e falou ‘daqui a pouco a gente volta’”, contou a jovem.

A candidata disse ter ficado muito nervosa com a situação, mas que no momento não conseguiu reagir aos abusos praticados pelo gerente do estabelecimento.

“Eu não tive reação. Eu só senti muito medo. Muito, muito medo. Agora pensando bem, eu devia ter enfrentado ele, poderia ter gritado, feito alguma coisa. Mas na hora eu não consegui fazer nada. Tive nojo e medo”, disse.

De acordo com os relatos, os movimentos do gerente eram planejados. Uma das vítimas disse que nos locais onde aconteceram os supostos assédios não tinham câmeras de segurança para provar o abuso.A jovem relatou também que em um outro momento do teste, o gerente pediu que ela vestisse uma das roupas da loja. O objetivo seria fazer uma foto para postar nas redes sociais e anunciar o produto.

“Ele pediu pra eu vestir uma blusa da loja pra ele fazer divulgação. Eu achei que fosse normal, pro Instagram da loja e tal. Mas quando eu fui no provador ele saiu entrando junto. Ele perguntou se a roupa tinha ficado boa e já começou a me pressionar contra a parede novamente pra me beijar. Na hora eu respondi que não queria”, relatou.

“Eu saí do provador tremendo e logo depois contei pro outro vendedor o que tinha acontecido. Ele na hora falou pra mim que eu tinha que pegar minhas coisas e ir embora. Mas eu só estava pensando em não chorar. Eu queria muito o emprego”, completou.

A candidata ao cargo de vendedora contou que o dia passou e ela pouco conseguiu se concentrar no trabalho.

“Quando eu sai da loja eu vi que imediatamente ele me bloqueou no WhatsApp. Ele já fez tudo de caso pensado e deve ter feito com muitas outras garotas também”, contou.

Os advogados de uma das vítimas afirmaram que foi feito um boletim de ocorrência na delegacia para registrar o ocorrido. Eles disseram também que vão entrar com uma ação na Justiça contra o gerente e a loja Infinity.

“A defesa da vítima, composta pelos advogados Renato Paixão e Breno Machado, informa que irá realizar o acompanhamento do boletim de ocorrência junto a delegacia, bem como, efetuar o ajuizamento de uma reclamação trabalhista por assédio moral contra a empresa e o suposto assediador”, disse a defesa.

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