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O julgamento eleitoral do discurso vencedor de 2018

Artigo: Carlos Santiago



Depois de conquistar corações e votos em 2018, a denominada nova política é quem estará no centro do tribunal das urnas nas eleições gerais de 2022 para o julgamento popular. Por isso que o discurso antipolítica e anticacique vem perdendo força no debate da pré-campanha.
         
O discurso do novo e do anticacique foi vencedor em vários estados brasileiros nas eleições de 2018. Brasileiros e brasileiras sem envolvimento com a política tradicional foram eleitas para comandar o Poder Executivo, para o Congresso Nacional e para as Casas legislativas dos estados, deixando o eleitorado confiante na mudança das práticas sem ética da política e da administração pública. 
         
Agora, faltando seis meses para novas eleições, o eleitorado brasileiro pode refletir sobre as promessas de campanha dos eleitos, as realizações nos governos e nos parlamentos, bem como as práticas políticas efetivadas no campo da ética por aqueles ou aquelas que utilizaram o discurso do novo para conquistar o Poder.
        
Algumas perguntas na área econômica e social que precisam de respostas concretas: a economia melhorou? A segurança pública melhorou? A educação melhorou? A saúde melhorou?  A habitação digna foi conquistada? O emprego e a qualidade dele melhoraram? O país e as pessoas estão melhores?
        
Há, ainda, outras indagações no campo da ética política: o índice de corrupção caiu? A política do toma lá dá cá diminuiu? Os partidos ainda são cooptados por meio de verbas públicas? A transparência da gestão estatal avançou? Os políticos tradicionais e os empreiteiros continuam mandando nas obras públicas? As polícias possuem autonomias para combater ilegalidades dos governos?
        
No plano nacional, o presidente Bolsonaro continua usando bastante o discurso do antissistema contra o Supremo Tribunal Federal - STF e contra o Tribunal Superior Eleitoral - TSE, mas tem poupado o Congresso Nacional e o centrão político de suas críticas sobre a velha política. 
      
O presidente não escapará do julgamento das urnas e terá que responder sobre os avanços ou não de sua administração no campo econômico e social, além de suas práticas na condução da política institucional. Será cobrado por aquilo que prometeu e pelo discurso contundente contra a velha política que o ajudou na última eleição presidencial.
      
No âmbito dos estados, os governantes eleitos com o discurso do novo contra o velho, terão que prestar contas também sobre condutas e realizações. 

Alguns governadores serão cobrados pelo envolvimento em práticas de corrupção, o uso do velho expediente para conseguir apoio legislativo e a falta de realizações, mesmo com os números crescentes da arrecadação; outros vão confirmar a ruptura com o passado e a consolidação de uma nova política que age com ética e traz desenvolvimento econômico e social para todos.
      
As eleições estão próximas. No tribunal das urnas, o eleitorado pode fazer justiça política célere, basta votar com coerência e com consciência de sua decisão para a coletividade, dizendo sim pra quem administrou com ética e para quem busca uma nova forma de fazer política. E deve votar contra quem usou o discurso do novo somente pra ganhar poder, sendo o mais do mesmo no exercício do poder..
     
O julgamento eleitoral do discurso político que ganhou as eleições 2018 ainda pode ser ofuscado? Sim. O discurso da política social é forte. Há muita gente sobrevivendo de auxílio estatal, do rancho e de favores. O tempo dirá.



Sociólogo, Analista Político e Advogado.

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