Desembargador Cezar Bandiera lançou a 2.ª edição do livro ‘Naufrágio no Amazonas’ na Valer Teatro, nesta quinta (27)
A obra é um testemunho sensível sobre as fragilidades da navegação na região amazônica, o abandono das populações ribeirinhas e o valor da vida diante da imprevisibilidade dos rios
Nesta quinta-feira, dia 27 de novembro de 2025, o desembargador Cezar Bandiera lançou a segunda edição do livro ‘Naufrágio no Amazonas – o acidente do Transrégia II’, às 18h30, no salão de eventos da Valer Teatro, localizada no Largo São Sebastião. A entrada foi gratuita.
A obra se apresentou como um testemunho sensível sobre as fragilidades da navegação na região amazônica, o abandono das populações ribeirinhas e o valor da vida diante da imprevisibilidade dos rios. Com linguagem íntima e contundente, Bandiera conduziu os leitores por uma noite longa e dolorosa, além de reflexões profundas sobre destino, fé e memória.
Para a coordenadora editorial da Valer, doutora em Filosofia Neiza Teixeira, o livro de Cezar Bandiera narrou um fato que, infelizmente, não é raro nos rios amazônicos: um naufrágio.
“Aqui, revivemos o desastre do navio-motor Transrégia II, no qual ele viajava, e do qual, devido à sua fé e ao seu controle emocional, sobreviveu e ainda ajudou a salvar outras pessoas. Este foi um dos mais pavorosos já registrados. Durante as buscas por materiais relacionados à tragédia, o autor constatou a negligência, tanto com a história individual quanto com a coletiva, por conta dos registros parcos no órgão responsável, o abandono dos povos ribeirinhos e a falta de fiscalização; mas também observou o progresso da construção naval, que hoje entrega ao povo barcos mais rápidos e seguros.”, escreveu Neiza Teixeira.
O autor explicou, em nota, que, para esta segunda edição, foram realizadas buscas em diferentes fontes históricas e documentais. Foram consultados periódicos do Estado do Pará e da cidade de Itacoatiara, na tentativa de reunir registros jornalísticos da época, que pudessem oferecer novos detalhes sobre o naufrágio, seus passageiros, as vítimas e as circunstâncias que marcaram o ocorrido.
“Escrevi estas páginas movido por um impulso antigo: o de registrar um fato que, por muitos anos, permaneceu em silêncio dentro de mim. Mais do que um relato pessoal, este livro é uma homenagem àqueles que perderam as suas vidas numa madrugada trágica, no coração da Amazônia.”, escreveu Bandiera.
Sobre o livro
Na madrugada de 7 de maio de 1983, o navio motor Transrégia II naufragou nas águas escuras do rio Amazonas, deixando dezenas de mortos e feridos, entre eles, crianças. Dentre os sobreviventes, estava o então jovem juiz Cezar Luiz Bandiera, que, após décadas, rompeu o silêncio para contar, em primeira pessoa, detalhes desse episódio trágico, marcado pelo medo, escuridão, improviso e esperança.
Sobre o autor
Cezar Luiz Bandiera é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1977). É doutor em Direito Constitucional (Dinter) pela Universidade de Fortaleza/Ciesal (2019). Exerceu o cargo de advogado no Projeto Fundiário Humaitá do Incra (1980). Instalou o sistema de Informática no Poder Judiciário do Amazonas (1985). Iniciou os Trabalhos de Informatização da Folha de Pagamento do Judiciário e a Informatização do 2.º grau de jurisdição, começando pela Distribuição Processual (1986).
Atuou como Juiz de Direito nas Comarcas de Parintins, Manacapuru e Benjamin Constant (1986). Atuou como Juiz Corregedor Auxiliar na Corregedoria-Geral da Justiça do Amazonas. Foi juiz eleitoral nas Zonas Eleitorais de Parintins, Benjamin Constant e da 32.ª Zona Eleitoral, em Manaus (1986). Atuou como Juiz Membro do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (1990).
Foi nomeado Secretário de Estado da Administração do Amazonas (1994). Assumiu a 4.ª Vara da Fazenda Pública Municipal (2004). Foi nomeado Juiz da 58.ª Zona Eleitoral de Manaus (2012).
Foi nomeado Juiz Auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça do CNJ – DF (2014). Foi promovido por merecimento ao cargo de desembargador (2021), atuando até então como membro e presidente da Segunda Câmara Criminal, além de integrar as Câmaras Reunidas e o Tribunal Pleno do TJAM. É diretor da Escola Judicial do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas desde 2022.
Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Processual Civil, Direito Processual Administrativo e Direito Constitucional.






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