MEDIDA CHINESA SOBRE CARNE VERMELHA BRASILEIRA ACENDE ALERTA PARA IMPACTOS NO COMÉRCIO E NO ABASTECIMENTO - Opinião Manauara

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MEDIDA CHINESA SOBRE CARNE VERMELHA BRASILEIRA ACENDE ALERTA PARA IMPACTOS NO COMÉRCIO E NO ABASTECIMENTO



A adoção de uma salvaguarda pela China para proteger a produção local tem gerado preocupação no setor produtivo brasileiro de carne vermelha. Embora a medida seja considerada legítima e parte da soberania do país asiático, representantes da indústria avaliam que a forma de implementação pode causar impactos significativos nas exportações e no equilíbrio do mercado.


Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo), Paulo Bellicanta, o principal ponto de atenção está nas condições de adaptação às novas regras. Ele destaca que o comércio internacional de carne opera com contratos prévios e logística acelerada, com um ciclo médio de cerca de 75 dias entre a produção e a entrega do produto no destino. Dessa forma, mudanças repentinas podem afetar cargas já negociadas e em trânsito.


Dados do setor indicam que, no período de implementação da medida, o volume exportado girava em torno de 170 mil toneladas por mês, aproximadamente 7,7 mil toneladas por dia. Considerando o tempo médio de transporte, estima-se que cerca de 500 mil toneladas estejam em trânsito, número que pode gerar um descompasso frente à cota atual definida pela China.


A preocupação é que, sem ajustes técnicos, o produto brasileiro possa perder espaço no mercado chinês em menos de seis meses. Por isso, representantes da indústria defendem que a cota de 2026 considere apenas as cargas efetivamente embarcadas em 2026, como forma de evitar impactos severos na cadeia produtiva e no abastecimento.


Levantamentos apontam que, até 30 de dezembro de 2025, havia cerca de 350 mil toneladas entre cargas em trânsito e em portos chineses. A esse volume somam-se aproximadamente 120 mil toneladas exportadas em janeiro e uma previsão de 100 mil toneladas para fevereiro, podendo alcançar 570 mil toneladas entregues no período. Caso a cota permaneça inalterada, restariam cerca de 530 mil toneladas para os dez meses seguintes de 2026, o equivalente a aproximadamente 53 mil toneladas mensais — bem abaixo das 170 mil toneladas registradas anteriormente.


O setor ressalta que a discussão não se trata apenas de projeções, mas de números já observados no comércio bilateral. A avaliação é de que ajustes nas regras são necessários para garantir previsibilidade nas relações comerciais e evitar prejuízos tanto para produtores brasileiros quanto para o abastecimento do mercado chinês.


A China segue sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e a expectativa é que o tema seja tratado no âmbito diplomático, com base em dados técnicos e diálogo entre as partes.


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