Possível “super El Niño” acende alerta no Amazonas; Comandante Dan defende preparação para evitar isolamento e crise humanitária no interior - Opinião Manauara

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Possível “super El Niño” acende alerta no Amazonas; Comandante Dan defende preparação para evitar isolamento e crise humanitária no interior



A previsão de um possível “super El Niño” entre o final do inverno e a primavera de 2026 acendeu o alerta das autoridades amazonenses para o risco de uma nova seca extrema no estado. Durante cessão de tempo realizada na manhã desta terça-feira (26/05), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) recebeu o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel QOBM Orleilso Muniz, para discutir as medidas preventivas diante do cenário climático projetado para o segundo semestre.


Os modelos climáticos apontam para um forte aquecimento das águas do Oceano Pacífico, aumentando em cerca de 80% a possibilidade de formação de um novo e severo fenômeno El Niño. No Amazonas, o impacto pode significar redução drástica das chuvas, calor extremo, seca histórica dos rios, isolamento de comunidades ribeirinhas, aumento das queimadas e agravamento da crise ambiental e de saúde pública.


Durante a exposição, o comandante do CBMAM destacou que o Governo do Amazonas já iniciou ações preventivas para minimizar os impactos da estiagem.


“O Corpo de Bombeiros já trabalha com planejamento antecipado. Estamos reforçando efetivos, ampliando bases operacionais no interior e fortalecendo a capacidade de resposta para combate a incêndios florestais e atendimento às comunidades mais vulneráveis. O monitoramento climático está sendo acompanhado diariamente para que possamos agir antes do agravamento do cenário”, afirmou o coronel Orleilso Muniz.


Segundo ele, mais de 200 militares aprovados em concurso público foram recentemente deslocados para unidades estratégicas na capital e no interior, fortalecendo operações de prevenção e resposta rápida. O comandante também ressaltou que as áreas da Região Metropolitana de Manaus e do sul do Amazonas recebem atenção especial devido ao histórico elevado de queimadas durante períodos de estiagem severa. O Comandante dos Bombeiros mencionou a captação de R$ 65 milhões para investimento na corporação, com a construção de novos quartéis (Humaitá, Apuí, Boca do Acre,  São Gabriel da Cachoeira e Borba) e a compra de viaturas para o interior.


O deputado Comandante Dan alertou que o Amazonas precisa transformar o aprendizado das secas de 2023 e 2024 em planejamento permanente de Estado, especialmente para evitar o isolamento das populações do interior.


“Nós não podemos esperar a crise acontecer para agir. A seca no Amazonas significa comunidades isoladas, desabastecimento, dificuldade no acesso à saúde, à alimentação e ao transporte. Precisamos de preparação logística, armazenamento de insumos, garantia de navegabilidade e fortalecimento das estruturas de atendimento no interior”, afirmou o parlamentar.


Presidente da Comissão de Segurança Pública da Aleam, Comandante Dan lembrou que tem defendido no Legislativo políticas voltadas à segurança hídrica e ao acesso das comunidades rurais e municípios do interior à água potável.


“O acesso à água é uma questão humanitária e também de segurança pública. A estiagem extrema impacta diretamente a vida das famílias ribeirinhas, a economia, a saúde e a própria capacidade do Estado de chegar às localidades mais distantes. Precisamos integrar infraestrutura, logística, proteção ambiental e defesa civil numa resposta coordenada”, declarou.


Os alertas dos institutos meteorológicos também apontam para aumento expressivo do risco de incêndios florestais e degradação ambiental em razão do déficit hídrico prolongado. Além da ameaça ao bioma amazônico, o avanço das queimadas pode comprometer a qualidade do ar nas cidades amazonenses e agravar problemas respiratórios na população.


Atualmente, órgãos estaduais e federais intensificam o monitoramento das condições oceânicas e hidroclimáticas para antecipar ações de mitigação e evitar a repetição da crise humanitária observada em anos recentes, quando rios atingiram níveis historicamente baixos e milhares de famílias ficaram isoladas no interior do Amazonas.

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