“Saio de cabeça erguida, sou inocente”, diz ex-assessora da Prefeitura ao deixar prisão
A decisão foi assinada na noite desta quinta-feira, 14, em Brasília e a soltura deve acontecer ainda nesta sexta-feira.
A investigadora da Polícia Civil do Amazonas, Anabela Cardoso Freitas, deixou a prisão na manhã desta sexta-feira, 15, após decisão do ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro entendeu que não havia motivo suficiente para manter a prisão preventiva, já que a investigação foi encerrada e o próprio Ministério Público do Amazonas (MPAM) não incluiu Anabela na denúncia apresentada contra uma parte dos investigados.
Anabela havia sido presa no dia 20 de fevereiro durante a operação Erga Omnes, que investiga um suposto núcleo político ligado ao crime organizado no Amazonas. Mas, conforme o ministro Ribeiro Dantas observou, o relatório final da Polícia Civil do Amazonas afastou as acusações de tráfico de drogas e associação para o tráfico que haviam sido atribuídas a Anabela. Ela é ex-assessora do ex-prefeito David Almeida, que sempre defendeu a inocência dela e atribuiu a sua prisão à uma manobra política visando desgasta-lo.
O ministro afirmou ainda que o relatório não aponta atuação violenta, liderança operacional ou risco atual de Anabela prejudicar a coleta de provas. Na decisão, o Ribeiro Dantas lembra que o próprio Ministério Público reconheceu que a investigação ainda não estava madura para uma denúncia formal contra a investigadora.
Com a decisão, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares, como comparecimento periódico em juízo, proibição de frequentar determinados lugares e proibição de contato com pessoas específicas.
Anabela deixou a carceragem do 19o DIP por volta das 10h35, acompanhada por advogados, e por familiares, incluindo o marido, com quem saiu de mãos dadas. Ela chegou a ser questionada se via a prisão como uma perseguição política, mas ela preferiu não se manifestar. “O processo ainda está em curso. Saio de cabeça erguida, sou inocente”.
Na saída da delegacia, a advogada de Anabela, Kayla Soares, falou com a imprensa. “Ela vai ficar fazendo acompanhamento pela delegacia. As investigações não tiveram resultados, então nada mais justo que a liberdade. (...) O processo continua, mas com as outras partes. Estamos contentes que as investigações não acharam nada”, afirmou.
Anabela é advogada, pós-graduada em Segurança Pública e Inteligência Policial, e atua desde 2011 como investigadora da Polícia Civil do Amazonas. Também passou pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, e foi chefe de gabinete no primeiro mandato do ex-prefeito David Almeida.




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