Comandante Dan alerta para avanço da governança criminal após alta de feminicídios e latrocínios no Amazonas
Parlamentar afirma que queda nos homicídios não pode ser analisada isoladamente e defende retomada territorial do Estado para enfrentar a violência
O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) repercutiu na manhã desta terça-feira (02/06) os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), que apontam crescimento expressivo dos crimes de feminicídio e latrocínio no estado entre janeiro e abril de 2026. Para o parlamentar, os números reforçam a necessidade de uma análise mais profunda sobre a dinâmica da criminalidade e evidenciam o avanço da governança criminal em diversas regiões do Amazonas.
De acordo com as estatísticas, os feminicídios registraram aumento de 166% em comparação com o mesmo período do ano passado. Já os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) dobraram no mesmo intervalo. Os dados foram divulgados juntamente com a informação de redução nos índices de homicídios dolosos.
Presidente da Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Comandante Dan alertou que a diminuição dos homicídios, quando analisada de forma isolada, pode gerar interpretações equivocadas sobre a realidade da segurança pública.
“Tenho alertado há bastante tempo que a simples redução dos homicídios não significa, necessariamente, uma redução da violência. Em muitos casos, ela pode ser consequência da consolidação do domínio territorial de uma facção criminosa, que passa a controlar conflitos, impor regras e reduzir disputas armadas em determinadas áreas. Isso não representa paz social, mas sim o fortalecimento de uma governança paralela ao Estado”, afirmou.
O parlamentar destacou que o crescimento dos feminicídios demonstra que a violência continua presente e atingindo de forma cada vez mais grave os grupos mais vulneráveis.
“Quando observamos um aumento tão expressivo dos feminicídios, estamos diante de um sinal de alerta gravíssimo. São mulheres perdendo a vida dentro de um contexto de violência doméstica e familiar que exige respostas mais efetivas do poder público. Da mesma forma, o aumento dos latrocínios mostra que a população continua exposta à violência extrema e à ação de criminosos cada vez mais ousados”, disse.
Segundo Comandante Dan, o enfrentamento do problema passa pela recuperação da capacidade do Estado de ocupar e controlar territórios, especialmente nas áreas mais vulneráveis e nas regiões de fronteira.
“Não existe solução duradoura sem presença permanente do Estado. Precisamos ocupar territórios com segurança pública, mas também com educação, saúde, assistência social, infraestrutura e oportunidades econômicas. Onde o Estado não chega, o crime organizado ocupa esse espaço e passa a exercer poder sobre a população.”
O deputado também defendeu a integração entre União, Estado e municípios em uma estratégia de longo prazo voltada para a retomada territorial, o fortalecimento das forças de segurança e o combate às organizações criminosas.
Entre as medidas defendidas pelo parlamentar estão a ampliação do controle das fronteiras, o fortalecimento da inteligência policial, a recuperação de áreas dominadas pelo crime organizado, a valorização dos profissionais da segurança pública, a expansão das Guardas Municipais dentro do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e a implementação de políticas sociais permanentes em comunidades vulneráveis.
“A segurança pública não pode ser pensada apenas como repressão policial. É necessário construir uma estratégia de ocupação e permanência do Estado. Precisamos impedir que organizações criminosas continuem exercendo influência sobre territórios inteiros e sobre a vida das pessoas. Essa é uma responsabilidade de todos os níveis de governo”, concluiu.
Para o deputado, os indicadores divulgados reforçam a necessidade de uma política pública baseada no controle territorial, na integração institucional e na proteção efetiva da população, especialmente das mulheres e das comunidades mais afetadas pela violência.




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