Comandante Dan defende políticas para juventude após Amazonas figurar entre os estados mais violentos para jovens do país
Parlamentar relaciona dados do Atlas da Violência 2026 e da PeNSE 2024 e alerta para ciclo de vulnerabilidade que começa na escola e termina na criminalidade
O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para defender a ampliação de políticas públicas voltadas à juventude amazonense. O pronunciamento teve como base os dados do Atlas da Violência 2026, que colocam o Amazonas como o quarto estado mais violento do Brasil para jovens de 15 a 29 anos, com taxa de 55,7 homicídios por 100 mil jovens.
Para o parlamentar, os números revelam uma realidade preocupante e demonstram que o enfrentamento à violência não pode se limitar apenas às ações repressivas de segurança pública.
“Estamos perdendo nossos jovens para a violência, para o crime. E não importa se eles estavam envolvidos com ilícitos. Ainda assim eram jovens, tinham família e careciam de perspectivas. Raramente um jovem oriundo das camadas mais populares escolhe o crime por índole. Na maioria das vezes ele o faz por necessidade, por falta de horizontes. Precisamos parar de trabalhar apenas com a repressão e adotar políticas públicas preventivas, de promoção social”, afirmou.
Segundo Comandante Dan, os dados do Atlas da Violência dialogam diretamente com os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou elevados índices de violência e vulnerabilidade entre adolescentes amazonenses.
Entre os indicadores destacados pelo deputado estão os relatos de interrupção das aulas por motivos de violência, a insegurança no ambiente escolar, os altos índices de violência sexual e o contato precoce com drogas ilícitas.
De acordo com a pesquisa, cerca de 8% dos estudantes amazonenses tiveram atividades escolares prejudicadas pela violência, enquanto aproximadamente 12,5% dos alunos de Manaus afirmaram ter faltado à escola por medo ou insegurança. O levantamento também aponta que 22,9% dos estudantes do estado relataram ter sofrido algum tipo de violência sexual, percentual superior à média nacional.
O cenário é ainda mais grave entre as meninas. Segundo a PeNSE, 29,9% das estudantes amazonenses sofreram algum tipo de abuso ou violência sexual não consentida, contra 15,9% dos estudantes do sexo masculino.
Outro dado considerado preocupante pelo parlamentar é o consumo de drogas entre adolescentes. Em Manaus, 8,2% dos estudantes afirmaram já ter experimentado drogas ilícitas, índice que chega a 9% na rede pública de ensino, contra 3% na rede privada.
Ciclo da violência
Para Comandante Dan, os levantamentos revelam que a violência letal registrada entre os jovens não surge de forma isolada, mas é resultado de um processo de vulnerabilização que começa ainda na adolescência.
“Quando um jovem deixa de frequentar a escola por medo, quando ele é vítima de violência sexual, quando cresce em áreas dominadas pelo crime ou sem acesso a oportunidades reais de desenvolvimento, estamos criando as condições para que ele seja capturado por organizações criminosas ou se torne vítima da própria violência. O Atlas mostra o resultado final de um problema que começa muito antes”, destacou.
O deputado defendeu o fortalecimento de programas de esporte, cultura, qualificação profissional, assistência social e proteção escolar como instrumentos de prevenção à criminalidade.
“Segurança pública não é apenas polícia na rua. É também escola funcionando, oportunidades chegando aos bairros mais vulneráveis, assistência social eficiente e presença permanente do Estado. Precisamos disputar nossos jovens antes que o crime organizado faça isso”, concluiu.
Números que preocupam
Atlas da Violência 2026
Amazonas é o 4º estado mais violento do Brasil para jovens de 15 a 29 anos;
Taxa de 55,7 homicídios por 100 mil jovens.
PeNSE 2024
Cerca de 8% dos estudantes amazonenses tiveram aulas impactadas pela violência;
Aproximadamente 12,5% dos alunos de Manaus faltaram à escola por insegurança;
22,9% dos estudantes relataram ter sofrido violência sexual;
*Entre as meninas, o índice chega a 29,9%;
8,2% dos estudantes de Manaus já experimentaram drogas ilícitas;
*Consumo é maior na rede pública (9%) do que na rede privada (3%).
Segundo o parlamentar, os indicadores reforçam a necessidade de uma estratégia integrada que combine segurança pública, educação, assistência social e geração de oportunidades para reduzir a violência e proteger a juventude amazonense.




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