Pré-diabetes: condição silenciosa pode ser revertida antes de evoluir para diabetes tipo 2 - Opinião Manauara

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Pré-diabetes: condição silenciosa pode ser revertida antes de evoluir para diabetes tipo 2

Endocrinologista alerta para fatores de risco frequentemente ignorados e destaca a importância do diagnóstico precoce




Manaus, 29 de junho de 2026 – Considerada por muitos apenas uma etapa anterior ao diabetes tipo 2, a pré-diabetes já representa uma alteração importante no funcionamento do organismo e exige atenção médica. O problema é que, na maioria dos casos, a condição se desenvolve de forma silenciosa, permitindo que muitos pacientes convivam durante anos com alterações metabólicas sem perceber.


Segundo a médica Renata Bussuan, coordenadora nacional da Pós-Graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica de Manaus, a pré-diabetes ocorre quando os níveis de glicose estão acima do normal, mas ainda não atingem os critérios diagnósticos para diabetes tipo 2.


“Antes de tudo, devemos lembrar que pré-diabetes não é pré-doença. Já é um quadro de glicemia alterada que precisa ser tratado, seja por meio de mudanças no estilo de vida, orientação alimentar ou, em alguns casos, medicamentos”, explica.


A especialista destaca que um dos principais fatores de risco está no acúmulo de gordura abdominal. Diferentemente da gordura localizada sob a pele, a gordura visceral se concentra ao redor dos órgãos e produz substâncias inflamatórias que dificultam a ação da insulina, favorecendo o desenvolvimento da resistência insulínica.


Além disso, alterações discretas nos exames laboratoriais costumam ser ignoradas por muitos pacientes. Valores de glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL ou de hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4% já indicam um estado disglicemico, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas .


Outro exame que merece destaque é o teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Segundo Renata Bussuan, em muitos casos ele é o primeiro a apontar alterações metabólicas. “Há pacientes com glicemia de jejum normal e hemoglobina glicada levemente aumentada, mas que já apresentam alterações importantes após a sobrecarga de glicose. Na prática, isso mostra que o organismo já está tendo dificuldade para lidar adequadamente com a glicose, mesmo antes do aparecimento do diabetes”, afirma.


O sedentarismo e o excesso de peso também figuram entre os fatores mais associados ao desenvolvimento da pré-diabetes. A combinação contribui para o aumento da resistência à insulina e dificulta o controle da glicose pelo organismo. Somado a isso, o histórico familiar de diabetes tipo 2 aumenta significativamente o risco de desenvolver a condição, especialmente quando outros fatores de risco estão presentes.


Outro aspecto que preocupa os especialistas é a mudança no perfil dos pacientes. Se antes a pré-diabetes era mais comum entre pessoas mais velhas, hoje ela aparece cada vez mais cedo. “Antigamente era considerada uma condição de pessoas mais velhas. Atualmente encontramos resistência à insulina e pré-diabetes em adultos jovens, adolescentes e até crianças com obesidade”, alerta a endocrinologista.


Apesar do avanço da doença em diferentes faixas etárias, a boa notícia é que a pré-diabetes pode ser revertida. Estudos internacionais mostram que mudanças consistentes no estilo de vida reduzem significativamente o risco de progressão para o diabetes tipo 2. “É justamente nessa fase que temos a maior oportunidade de intervenção. Em muitos pacientes observamos normalização da glicemia, da hemoglobina glicada e melhora importante da resistência à insulina”, destaca.


De acordo com a professora Sheila Ramos, do curso de Educação Física da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, intervenções no estilo de vida continuam sendo as estratégias mais eficazes para impedir a evolução do quadro. “A redução do consumo de alimentos ultraprocessados, a adoção de uma alimentação baseada em produtos in natura e minimamente processados e o aumento da prática de atividade física apresentam resultados consistentes na redução do risco de diabetes”, afirma.


Entre as medidas mais eficazes está a prática regular de exercícios e, segundo Renata Bussuan, os benefícios da atividade física vão muito além da perda de peso. “A atividade física é uma das ferramentas mais poderosas que temos na prevenção do diabetes. Quando o músculo se contrai durante o exercício, ele passa a captar glicose de forma muito mais eficiente. Além disso, melhora a sensibilidade à insulina, reduz a gordura visceral, diminui a inflamação e reduz o risco cardiovascular”, explica.


Sheila destaca que atividades simples e acessíveis já podem trazer benefícios importantes para quem recebeu o diagnóstico de pré-diabetes. “Exercícios aeróbicos, como caminhada e hidroginástica, são excelentes opções para quem deseja iniciar uma rotina de atividade física de forma segura e contribuir para o controle da glicemia”, orienta.


Na alimentação, a recomendação é priorizar alimentos ricos em fibras, vegetais e proteínas magras, reduzindo o consumo de ultraprocessados e bebidas açucaradas. “A combinação entre alimentação saudável e atividade física continua sendo a estratégia mais eficaz para evitar que a pré-diabetes evolua para diabetes tipo 2”, conclui Renata Bussuan.

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