Torcedor do Caprichoso viaja de Manaus a Parintins remando em caiaque para assistir ao Festival
Marinheiro de convés, Diego Mores saiu de Manaus no domingo (21) com a previsão de chegar ao destino final nesta sexta-feira (26), em travessia de mais de 400 quilômetros pelo Rio Amazonas
Um caiaque foi a embarcação usada pelo marinheiro de convés Diego Moraes para viajar sozinho de Manaus a Parintins pelas águas do Rio Amazonas. A viagem, com extensão de 420 quilômetros, começou a ser feita no domingo (21), com previsão de chegada na sexta-feira (26) e um único objetivo: assistir o Boi Caprichoso no Festival de Parintins.
Considerado um dos principais patrimônios culturais do Brasil, o Festival de Parintins celebra a cultura amazônica e a rivalidade centenária entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido. Em 2026, a tradicional disputa na ilha situada no interior do Amazonas acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho.
A embarcação escolhida por Diego tem originalmente a cor vermelha, associada ao Boi Garantido, mas recebeu um adesivo azul antes do percurso. Ele contou que a mudança foi feita para que a viagem fosse concluída com a identificação do boi pelo qual torce.
Praticante de canoagem há mais de 15 anos, Diego já realizou outros trajetos por rios da Amazônia, como os percursos entre Manaus e Santarém, no Pará (2016), Barcelos a Manaus (2023) e São Gabriel da Cachoeira a Barcelos (2025). Apesar de conhecer Parintins, ele afirma que nunca assistiu ao festival na ilha e decidiu que a primeira experiência seria chegando à cidade de uma forma diferente.
“Eu queria ir de uma forma não convencional hoje em dia. As pessoas já não remam tanto como antigamente, as pessoas vão de avião, de barco, e aí eu pensei: por que não ir de caiaque?”, contou.
A previsão é de que Diego chegue à Parintins na sexta-feira, horas antes do início do festival, onde será recebido pela namorada e pelo primo. Para realizar o percurso, ele levou equipamentos de segurança, como um localizador via satélite que envia a localização para familiares a cada 60 minutos, além de internet via satélite.
Segundo o marinheiro, a principal dificuldade enfrentada durante a viagem tem sido o sol e as altas temperaturas no início do "verão amazônico". O trajeto é feito durante o dia e, à noite, ele busca abrigo em casas de ribeirinhos que vivem ao longo do Rio Amazonas.
Durante o caminho, Diego também destacou que tem recebido apoio das comunidades por onde passa.
“Até o momento eu não tive nenhum tipo de perrengue. As pessoas foram totalmente solícitas e hospitaleiras, me chamaram para dormir em suas casas, me deram comida e contaram as suas histórias de vida”, disse.




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