Comandante Dan afirma que queda de homicídios encobre avanço de outros crimes no Amazonas - Opinião Manauara

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Comandante Dan afirma que queda de homicídios encobre avanço de outros crimes no Amazonas

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 aponta redução de 32,5% nas mortes violentas intencionais, mas registra forte crescimento da receptação, do tráfico de drogas, da violência doméstica e sexual e dos crimes contra crianças e adolescentes




O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) afirmou que os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 revelam a falência da atual política estadual para o setor. Embora o Amazonas tenha registrado redução expressiva das mortes violentas intencionais e da maioria dos roubos em 2025, o levantamento mostra crescimento de modalidades como receptação, tráfico de drogas, tentativas de homicídio, lesões corporais, violência doméstica e sexual, além de crimes praticados contra crianças e adolescentes.


Para Comandante Dan, no entanto, a redução dos homicídios e dos roubos não significa necessariamente que a sociedade amazonense esteja mais segura. Na avaliação do deputado, a retração da violência letal pode estar associada à consolidação da hegemonia territorial de uma organização criminosa, com diminuição dos confrontos entre grupos rivais e ampliação da chamada governança criminal sobre comunidades e atividades econômicas ilícitas.


“Os homicídios diminuíram, inclusive os feminicídios, mas diversos outros crimes cresceram de maneira extremamente preocupante. Chega a ser assustador verificar os índices de violência doméstica e sexual. Dizer que a violência está menor no estado é uma balela, uma figura de linguagem. Na prática, temos uma sociedade muito mais violenta, vulnerável e refém do crime organizado”, afirmou.


Entre os indicadores que mais chamam a atenção está a receptação. Os registros passaram de 1.667, em 2024, para 4.042, em 2025, aumento de 140,2%. A taxa subiu de 38,9 para 93,5 ocorrências por 100 mil habitantes. O crescimento pode indicar tanto a expansão do mercado de produtos roubados e furtados, como celulares, veículos, peças e equipamentos eletrônicos, quanto maior atuação policial contra compradores e intermediários de mercadorias de origem criminosa.


Também houve avanço nos indicadores relacionados às drogas. As ocorrências de tráfico passaram de 2.252 para 3.134, crescimento de 37,9%, enquanto a taxa estadual subiu de 52,6 para 72,5 registros por 100 mil habitantes. As apreensões de drogas aumentaram 39,1%, passando de 2.753 para 3.865 registros. Já as ocorrências de posse e uso cresceram de 12 para 18, variação de 48,6%, embora o volume reduzido exija cautela na interpretação.


Outros crimes contra a pessoa também apresentaram aumento. As tentativas de homicídio passaram de 509 para 662 registros, alta de 28,8%, enquanto as lesões corporais dolosas cresceram 13,5%, de 11.161 para 12.786 ocorrências. No campo dos crimes patrimoniais digitais, os registros de estelionato eletrônico aumentaram 28,5%, passando de 972 para 1.261, mesmo com o total de estelionatos permanecendo praticamente estável, de 20.767 para 20.862 ocorrências.


Comandante Dan, que comandou a Polícia Militar do Amazonas entre 2008 e 2011 e idealizou, durante sua gestão, o programa Ronda no Bairro, afirmou que a política de segurança pública não pode ser avaliada apenas pela quantidade de homicídios. Segundo ele, é necessário observar o conjunto de indicadores e a capacidade do Estado de impedir que organizações criminosas controlem territórios, mercados ilegais e relações sociais.


“A redução da letalidade é importante e toda vida preservada deve ser comemorada. O problema é transformar um único indicador em propaganda e ignorar que o tráfico aumentou, a receptação explodiu, as tentativas de homicídio cresceram e milhares de mulheres e crianças continuam sendo ameaçadas e agredidas. Segurança pública não é apenas contar cadáveres. É garantir liberdade, proteção e autoridade legítima do Estado em todo o território”, declarou.


*Violência contra mulheres, crimes sexuais e vítimas menores de idade*


Os indicadores de violência contra as mulheres estão entre os mais preocupantes do levantamento. As ameaças contra vítimas do sexo feminino passaram de 18.858 para 30.455 registros, crescimento de 60% e aumento absoluto de 11.597 ocorrências em apenas um ano. A taxa alcançou 1.416,9 registros por 100 mil mulheres. Os casos de perseguição, conhecidos como stalking, aumentaram 73,5%, passando de 2.155 para 3.775.


As lesões corporais praticadas contra mulheres em contexto de violência doméstica cresceram 17,4%, de 4.852 para 5.752 vítimas. Os registros de descumprimento de medidas protetivas passaram de 1.433 para 1.863, aumento de 28,8%. As tentativas de homicídio de mulheres cresceram 10,4%, de 184 para 205 vítimas, enquanto as tentativas de feminicídio passaram de 107 para 109, alta de 0,9%.


Em contraponto, as mortes consumadas de mulheres diminuíram. Os homicídios de vítimas do sexo feminino caíram 20,2%, passando de 77 para 62 casos, e os feminicídios recuaram 31,7%, de 29 para 20. Para o deputado, a redução não pode ocultar o crescimento das ameaças, agressões, perseguições e violações de decisões judiciais que antecedem, em muitos casos, as formas mais graves de violência.


Os crimes sexuais também avançaram. Os registros de estupro cresceram 5,7%, de 390 para 416, enquanto os estupros de vulnerável passaram de 1.161 para 1.353, aumento de 15,4%. Somadas as duas modalidades, o estado registrou 1.769 ocorrências em 2025, contra 1.551 no ano anterior, alta de 13%. Entre as vítimas mulheres, o total cresceu 14,9%, passando de 1.353 para 1.569. Os casos de assédio sexual aumentaram 6,1%, e os de importunação sexual, 10,9%.


Entre crianças e adolescentes, os registros de abandono de incapaz passaram de 205 para 322, crescimento de 58,6%. Os casos envolvendo produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil saltaram de 24 para 85, aumento de 257,7%. Também cresceram os registros de maus-tratos, em 21,8%; exploração sexual infantil, em 25,6%; e lesão corporal em ambiente doméstico, em 15,5%.


Os estupros de crianças e adolescentes passaram de 1.216 para 1.342 vítimas, aumento de 11,4%. Na faixa entre 10 e 13 anos, os registros cresceram 15,6%, de 549 para 643. Para Comandante Dan, os números demonstram a necessidade de reforçar a rede de proteção, integrar as forças de segurança aos serviços de saúde, educação e assistência social e ampliar os mecanismos de denúncia, prevenção e responsabilização dos agressores.


“Uma política que comemora a diminuição dos homicídios, mas não consegue impedir o avanço da violência dentro das casas, das ameaças contra mulheres, dos abusos contra crianças e da expansão dos mercados criminosos, está longe de poder ser considerada bem-sucedida. O Amazonas precisa de uma estratégia permanente, territorializada e integrada, que devolva ao Estado o controle das comunidades e assegure proteção concreta às pessoas”, concluiu.

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