Comandante Dan defende retomada do Centro de Manaus e afirma que revitalização depende de nova ordem pública - Opinião Manauara

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Comandante Dan defende retomada do Centro de Manaus e afirma que revitalização depende de nova ordem pública



A revitalização do Centro Histórico de Manaus passa necessariamente pela retomada da ordem pública e pelo enfrentamento da governança criminal instalada na região. A avaliação foi feita pelo deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), na manhã desta segunda-feira (06/07), ao repercutir o anúncio da criação de uma Subsecretaria do Centro pela Prefeitura de Manaus. O parlamentar afirmou que a recuperação da área exige uma atuação integrada entre segurança pública, assistência social, urbanismo, comércio, turismo e políticas públicas permanentes. O anúncio da nova estrutura municipal prevê coordenação exclusiva para projetos voltados ao Centro Histórico e Comercial da capital.


Segundo o deputado, o Centro da cidade concentra hoje imóveis invadidos e ocupados irregularmente, muitos deles sob influência de facções criminosas, além de áreas marcadas pelo tráfico de drogas, população em situação de rua e diversas cracolândias.


“O que eles chamam de revitalização, em segurança pública chamamos de retomada e ocupação de território. Há áreas inteiras do Centro sob governança criminal. Sabe-se de moradores expulsos de seus imóveis, em ruas próximas à Joaquim Nabuco e à Getúlio Vargas, pelas facções criminosas. Também é sabido do tráfico a céu aberto na área da Manaus Moderna e da existência de tribunal do crime em várias partes do Centro. Há pichações de facções criminosas marcando imóveis. Se isso não é uma crise, eu não sei o nome disso”, declarou.


Para Comandante Dan, a segurança da capital não pode ser dissociada da recuperação do Centro Histórico. Ele destacou que a criação de uma subsecretaria específica representa uma oportunidade para integrar ações de iluminação pública, ocupação dos espaços urbanos, incentivo ao comércio, turismo, preservação do patrimônio histórico e policiamento de proximidade, desde que essas medidas sejam acompanhadas de ações sociais permanentes.


“Segurança não se faz apenas com polícia ostensiva. A polícia é um componente importante, mas não é o único. Polícia não acaba com cracolândia e eles deixaram que uma se instalasse em dois quarteirões inteiros da rua José Clemente: de um lado da rua está o Teatro Amazonas; do outro, dois grandes estabelecimentos de ensino, o Colégio Militar do Exército e o Colégio Salesiano Dom Bosco. Ninguém viu isso se formar? Não houve uma abordagem social? Sem assistência social e o que chamamos de ações de defesa social, não haverá avanço. Já vi até entregarem à Polícia Militar a atribuição de criar centros de triagem e abrigos, quando existe um fundo de assistência social, voltado a isso. As instituições precisam assumir suas responsabilidades, não ficar com jogo de empurra”, afirmou.


Ex-comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas entre 2008 e 2011, o parlamentar defendeu que a política de revitalização contemple a criação de abrigos para pessoas em situação de rua próximos às áreas de maior concentração dessa população, integrados a restaurantes populares e programas de reinserção social.


“São pessoas e não se pode esconder debaixo do tapete, nem simplesmente transferi-las para outra área da cidade. Deixamos o Centro chegar ao ponto em que chegou. Não será apenas um trabalho superficial que resolverá o problema. É fundamental a gestão integrada e a transversalidade das ações. Repito: sem a atuação da assistência social, nada será possível. Eu, inclusive, chamaria o Ministério Público para acompanhar um plano emergencial para o Centro Histórico, como forma de resguardar a legalidade e garantir a continuidade das ações”, defendeu.


Presidente da Comissão de Segurança Pública, Acesso à Justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Comandante Dan lembrou que o Parlamento já promoveu audiências públicas para discutir a situação do Centro de Manaus, reunindo representantes dos poderes públicos, forças de segurança, comerciantes e moradores. Para ele, o debate produzido nesses encontros demonstra que a recuperação da região depende de uma estratégia permanente de ocupação do território pelo Estado, capaz de devolver segurança, dignidade, atividade econômica e qualidade de vida à população.

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