Burnout digital: projeto alerta para os efeitos da hiperconectividade e coloca saúde mental no centro do debate em Manaus - Opinião Manauara

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Burnout digital: projeto alerta para os efeitos da hiperconectividade e coloca saúde mental no centro do debate em Manaus

PL 403/2026, de autoria do vereador Gilmar Nascimento, propõe semana municipal de conscientização; pauta ganha força durante o Setembro Amarelo e diante de dados da OMS sobre saúde mental entre crianças e adolescentes



MANAUS (AM) – Em um momento em que o país volta os olhos para a saúde mental durante o *Setembro Amarelo*, uma geração cada vez mais conectada também acende um alerta para os impactos do excesso de telas, da hiperconectividade e da dificuldade de estabelecer limites entre o mundo digital e a vida real. A discussão está no centro do Projeto de Lei nº 403/2026, de autoria do vereador Gilmar Nascimento (Avante), que propõe a criação da Semana Municipal de Conscientização e Combate ao Burnout Digital em Manaus.



Para o vereador Gilmar Nascimento, discutir o tema significa olhar para a saúde mental de forma preventiva, antes que o sofrimento chegue a situações extremas.



“Quando olhamos para uma criança hoje, muitas vezes ela não está brincando, conversando ou convivendo; ela está diante de uma tela. E isso precisa nos fazer parar para pensar. Até a própria Disney percebeu o tamanho desse problema. Em Toy Story 5, o vilão é justamente um tablet. Se até a ficção colocou a tecnologia como aquilo que disputa a atenção da criança, nós precisamos ter coragem de discutir o que está acontecendo na vida real. Não podemos esperar que nossos filhos adoeçam para depois procurar ajuda. Precisamos prevenir, conscientizar e estabelecer limites.”


A proposta também busca estimular a criação de uma cultura de equilíbrio no uso das tecnologias, especialmente entre crianças e adolescentes, que estão em uma fase de intenso desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo, a ser realizada anualmente na terceira semana de maio, com ações de conscientização, palestras, seminários e fóruns sobre saúde mental, hiperconectividade, higiene digital, ergonomia cognitiva e o direito à desconexão.


Segundo a folha informativa global sobre Saúde Mental dos Adolescentes (OMS), a instituição relata textualmente que um em cada sete jovens de 10 a 19 anos (14%) vive com um transtorno mental.


Entre os problemas mais frequentes estão transtornos de ansiedade, depressão e transtornos comportamentais. A OMS alerta que as condições de saúde mental na adolescência podem comprometer o desenvolvimento, a vida escolar, as relações sociais e trazer consequências para a vida adulta.


 

O cérebro em desenvolvimento e o excesso de telas


A preocupação com o uso excessivo de dispositivos eletrônicos também encontra respaldo em pesquisas científicas. Um estudo publicado no JAMA Pediatrics analisou 47 crianças em idade pré-escolar e identificou associação entre maior uso de mídias digitais e menor integridade microestrutural da substância branca em áreas relacionadas à linguagem, funções executivas e alfabetização emergente. As crianças também apresentaram resultados inferiores em avaliações cognitivas relacionadas a essas habilidades.


Outro estudo publicado pela revista, com 437 crianças, encontrou associação entre o uso de telas na infância e alterações na atividade elétrica cerebral que mediaram a relação com prejuízos posteriores em funções executivas.


Pesquisas mais recentes também vêm investigando a relação entre tempo de tela, sono, desenvolvimento cerebral e saúde mental. Um estudo publicado em 2026 apontou associação entre maior tempo de tela em adolescentes e alterações nas trajetórias de maturação neural em regiões relacionadas ao sistema de recompensa e ao controle cognitivo.


Os resultados reforçam a preocupação com a exposição excessiva, embora a ciência ainda investigue a dimensão e os mecanismos dessas relações. *“O problema não está necessariamente na existência da tecnologia, mas no excesso, na forma de utilização e no espaço que os dispositivos passam a ocupar na rotina de crianças e adolescentes”*, explica o vereador.


Burnout clássico x burnout digital


O burnout clássico é caracterizado pelo esgotamento mental e físico relacionado diretamente ao excesso de trabalho e ao estresse crônico no ambiente profissional.


Já o burnout digital está relacionado à sobrecarga de estímulos provocada pelo uso excessivo de telas, redes sociais e pela conectividade constante. Diferentemente do burnout profissional, ele pode ultrapassar o ambiente de trabalho e atingir momentos que deveriam ser destinados ao descanso, convivência familiar e lazer.


Notificações permanentes, mensagens fora do horário, necessidade de estar sempre disponível, excesso de informações e dificuldade de se desconectar são alguns dos fatores que alimentam essa sobrecarga.


 

Setembro Amarelo amplia discussão sobre prevenção


A referência feita pelo parlamentar ao filme encontra paralelo na nova produção da Pixar. Em Toy Story 5, o tablet infantil Lilypad é colocado como antagonista da história, representando a disputa entre os brinquedos tradicionais e a tecnologia pela atenção da personagem Bonnie. A produção aborda justamente o impacto dos dispositivos digitais sobre a forma como as crianças brincam e se relacionam.


 


 


*Fotos:* Arquivo/Dicom

*Texto:* Di Castro Comunicação

(92) 98113-7191

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