Cidades planejadas transformam o desenvolvimento da Amazônia - Opinião Manauara

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Cidades planejadas transformam o desenvolvimento da Amazônia

No Dia da Amazônia, planejamento urbano mostra como novos bairros podem gerar empregos, renda e crescimento com responsabilidade ambiental




No Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), o desenvolvimento da região também passa pelo crescimento das cidades. Em Manaus, o avanço de empreendimentos planejados mostra como moradia, infraestrutura e sustentabilidade podem se transformar em vetores de atividade econômica, geração de empregos e criação de novos polos urbanos.


Um exemplo desse movimento é o Parque Mosaico, que integra moradia, infraestrutura, áreas de convivência e planejamento urbano em uma região de expansão da capital. A proposta acompanha uma tendência de ocupação que busca oferecer mais do que unidades residenciais, criando espaços capazes de concentrar moradores, serviços, comércio e novas oportunidades de negócios.


O impacto econômico começa ainda durante a implantação dos empreendimentos, com a movimentação da construção civil e de uma extensa cadeia de fornecedores e trabalhadores. Com a chegada dos moradores, a demanda por mercados, restaurantes, escolas, serviços especializados e outras atividades também cresce, estimulando a economia no entorno.


A necessidade de ampliar essa oferta é reforçada pelo déficit habitacional. O Amazonas possui uma demanda superior a 120 mil moradias. Em Manaus, eram 103.471 famílias em situação de déficit em 2022, segundo dados citados no estudo “Requalificação urbana da Ponta Negra: densidade equilibrada, uso misto e o direito à cidade”.


O mercado imobiliário acompanha essa demanda. Em 2025, Manaus movimentou R$ 3,4 bilhões em vendas relacionadas ao Minha Casa, Minha Vida, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. O desempenho evidencia o peso da habitação na economia e os efeitos que o setor produz sobre construção, comércio, serviços e geração de renda.


Nesse cenário, o planejamento urbano ganha importância. A criação de bairros estruturados permite aproximar moradia, comércio, serviços e lazer, favorecendo o uso misto e reduzindo a necessidade de deslocamentos para outras regiões. A estratégia também pode contribuir para aproveitar melhor a infraestrutura existente e evitar uma expansão urbana cada vez mais dispersa.


““O Parque Mosaico materializa, em Manaus, um dos conceitos que vêm ganhando espaço no urbanismo contemporâneo: o da ‘cidade de 15 minutos’, em que moradia, trabalho, comércio, serviços, lazer e áreas verdes estão próximos e conectados. A proposta é reduzir a dependência de grandes deslocamentos e aproximar as atividades do cotidiano das pessoas, criando uma nova centralidade urbana na Zona Oeste da capital”, explica Pedro Ponciano, COO da Mosaico Urbanismo.


A experiência de outras cidades brasileiras mostra o potencial desse modelo. Em Palhoça (SC), a Cidade Pedra Branca transformou uma área de aproximadamente 4 milhões de metros quadrados em um bairro planejado, reunindo moradores, trabalhadores, estudantes e empresas. O projeto se tornou um exemplo de como a urbanização pode formar novos polos econômicos.


Para Manaus, o desafio ganha uma dimensão ainda maior. Além do déficit de moradias, a capital precisa conciliar crescimento populacional, mobilidade, infraestrutura e preservação ambiental. Em uma região marcada pela importância da floresta e dos recursos naturais, novos projetos urbanos precisam considerar também o uso responsável do território.


Nesse sentido, construir de forma planejada significa pensar no impacto de longo prazo. Empreendimentos habitacionais podem incorporar áreas de convivência, infraestrutura adequada e soluções que contribuam para uma ocupação mais organizada, aproximando desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.


A implantação de novos núcleos urbanos também pode gerar reflexos na arrecadação municipal, com o crescimento da base de contribuintes e a movimentação de tributos como IPTU e ITBI. Ao mesmo tempo, a presença de novos moradores estimula a circulação de renda e cria espaço para pequenos e grandes negócios.


O desafio, portanto, é transformar a expansão das cidades em desenvolvimento efetivo. Moradia, emprego, serviços, mobilidade e infraestrutura precisam avançar juntos para que o crescimento urbano represente melhoria na qualidade de vida.


No Dia da Amazônia, essa discussão amplia o significado de desenvolvimento regional. Preservar a floresta continua sendo essencial, mas a construção de uma região economicamente forte também passa pela forma como suas cidades crescem e acolhem sua população.


Com planejamento, responsabilidade e integração, novos bairros podem deixar de ser apenas áreas residenciais e se transformar em espaços de convivência, trabalho e negócios. É nessa conexão entre cidade, economia e sutstentabilidade que o planejamento urbano ganha papel estratégico no futuro da Amazônia.

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