Comerciante abandona casa e se esconde por três dias após erro de reconhecimento facial apontá-lo como suspeito de crime em Manaus - Opinião Manauara

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Comerciante abandona casa e se esconde por três dias após erro de reconhecimento facial apontá-lo como suspeito de crime em Manaus



Comerciante José Adelson da Silva e Silva foi fotografado por engano pelo Sistema Paredão, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, e teve a imagem divulgada como sendo foragido por furto de 91 contêineres. Dias depois, Polícia Civil



Por três dias, José Adelson da Silva e Silva, de 52 anos, não dormiu em casa, não trabalhou e evitou sair às ruas. Comerciante, ele foi identificado por engano pelo sistema Paredão, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), como um dos suspeitos do furto de 91 contêineres em um porto de Manaus. A imagem dele foi divulgada pela Polícia Civil como sendo a de um homem que está foragido. Dias depois, a própria polícia reconheceu o erro. 


A família de Adelson deixou a casa em que mora e passou o último fim de semana de agosto escondida em imóveis de terceiros. Segundo a esposa dele, Kellen Cristina, o medo era de que o marido fosse preso ou sofresse represálias de pessoas envolvidas no crime investigado.


Kellen disse que a família ficou sabendo que Adelson havia sido identificado como suspeito por meio de parentes que assistiam a um telejornal local. Até então, ele havia saído de casa apenas para fazer um depósito bancário.


Adelson trabalha com vendas e, no dia 25 de agosto, foi ao shopping Grande Circular, na Zona Leste de Manaus, para fazer um depósito. 


Na saída do shopping, ele foi captado por um câmera do sistema Paredão, uma plataforma de monitoramento que utiliza câmeras de reconhecimento facial e inteligência artificial para cruzar dados, em tempo real, com o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP). 






A imagem acabou sendo associada a Freed Pereira da Silva, real investigado pelo furto dos contêineres. A fotografia de Adelson passou a ser divulgada como se fosse a do suspeito. 


Segundo a Polícia Civil, o erro ocorreu por causa da semelhança física entre Adelson e Freed. 


A situação fez com que a família entrasse em desespero. De acordo com Kellen, Adelson deixou de trabalhar e passou a evitar sair de casa. 


Ela também contou que clientes passaram a questionar a procedência dos produtos vendidos pelo marido depois da divulgação da imagem. 


“Clientes que me ligavam perguntando se o que vendo na rua é roubo”, afirmou.


A operação que deu origem ao erro


A divulgação equivocada da imagem de Adelson aconteceu dois dias depois da deflagração da Operação Porto Seguro, realizada pela Polícia Civil em 27 de agosto.


A investigação apura o furto de 91 contêineres que estavam em um porto no bairro Colônia Oliveira Machado, na Zona Sul de Manaus. 


Durante a operação, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e uma pessoa foi presa. Freed Pereira da Silva também teve um mandado de prisão expedido, mas permanece foragido. 

Foi nesse contexto que a imagem de Adelson acabou sendo divulgada como sendo a de Freed. A família, porém, não tinha qualquer relação com a investigação. 


Polícia reconheceu o erro


Em 31 de agosto, Adelson procurou a polícia para esclarecer a situação. No mesmo dia, a Polícia Civil emitiu uma certidão onde reconhece o erro e retifica a informação divulgada anteriormente. 


No documento, a polícia afirma que a imagem divulgada como sendo de Freed Pereira da Silva foi posteriormente verificada e que a pessoa retratada era, na verdade, José Adelson da Silva e Silva, que "não tem relação como presente 

procedimento". 


A certidão também afirma que o equívoco ocorreu devido à "acentuada semelhança física" entre Adelson e o investigado. 

O documento foi emitido pelo 18º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Manaus e assinado pela escrivã de polícia Sarah Gysele Araújo de Figueredo.

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