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Amazonas, um estado nas mãos dos bandidos

 


A onda conservadora que levou Jair Bolsonaro ao Planalto em 2018 também elegeu governadores e parlamentares defensores do endurecimento da ação policial e de interesses das corporações da segurança pública. O Amazonas constitui hoje um exemplo de quão deletéria pode ser essa combinação.

Neófito na política e à frente do estado graças à popularidade como apresentador de um programa de TV policialesco, Wilson Lima (PSC) entregou as pastas de Segurança Pública e de Administração Penitenciária a coronéis da PM. Os resultados são calamitosos.

Em dois anos e meio, a Polícia Militar amazonense já protagonizou três chacinas. A primeira delas, ocorrida em 2019 em Manaus, deixou um saldo de 17 mortos —na operação mais letal de sua história.

Na segunda, em agosto de 2020, perto da cidade de Nova Olinda do Norte, registraram-se cinco mortos e três desaparecidos, em reação à morte de dois policiais. A truculência levou a Justiça Federal a determinar que a União adotasse medidas para proteger ribeirinhos e indígenas da ação dos agentes.

A mais recente matança aconteceu na cidade fronteiriça de Tabatinga, em junho, também após o assassinato de um policial. Familiares e testemunhas acusam a PM de ter matado seis jovens, dos quais três foram encontrados no lixão da cidade com sinais de tortura.

Além dos casos de violência extrema, há envolvimento em episódios rumorosos, como o roubo, em maio, de 500 quilos de maconha para redistribuição.

No início do mês, o secretário-executivo de Inteligência, o delegado da Polícia Civil Samir Freire, foi preso por rastrear e se apropriar de ouro de garimpo usando a máquina pública. Segundo investigações, ele e sua equipe monitoravam as vítimas com o Guardião, equipamento sofisticado que grava conversas telefônicas.

Enquanto isso, a população amazonense não deixa de padecer com a ousadia do crime organizado. Em junho, numa inédita demonstração de força, o Comando Vermelho incendiou e depredou ônibus, prédios públicos e viaturas em Manaus e em outras cidades.

Apesar do cenário desolador, o governador Wilson Lima não dá sinais de que mudará de rumo. O Amazonas está refém, pois, de uma nefasta união de ideologia e corporativismo que resulta em péssima política pública. Que ao menos sirva de alerta às outras unidades da Federação e à sociedade.

Tudo isso fora as acusações que pesam sobre o governador, que já foi chamado de chefe de quadrilha por uma procuradora da república, que acusa o governador de comprar respiradores superfaturados em plena pandêmia em uma loja de vinho, e que os mesmo não serviam para o que era necessário naquele momento. Isso sem contar o episódio da falta de oxigênio, que levou a mortes milhares de Amazonenses em janeiro deste ano.

Fonte: FolhaUol

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