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Gasolina ou etanol? Saiba como fazer a conta e descobrir qual deles é mais vantajoso para o bolso

Na última semana, a Petrobras anunciou um aumento de 18,7% para a gasolina em todo o território nacional. Com a alta no preço, os brasileiros passaram a pagar, em média, R$ 7,471 por litro do combustível, segundo dados divulgados pela ValeCard, companhia do segmento de frotas. Este é o valor mais alto pago pelos consumidores desde que o ano começou, quando a média do preço por litro era de R$ 6,890, segundo o Índice de Preços Ticket Log (IPTL). 

A justificativa para o aumento é a queda na oferta global da gasolina, em função das restrições impostas à Rússia, terceiro maior produtor de petróleo do mundo. Em nota, a petroleira afirmou que a medida é necessária para equilibrar o cenário econômico. “[…] para que os agentes importadores tomem ação imediata e obtenham sucesso na importação de produtos de forma a complementar o suprimento de combustíveis para o Brasil”, disse. 

Com a diminuição da oferta do produto no mercado e a consequente alta do preço, os consumidores que utilizam veículos “flex” – que podem ser abastecidos com mais de um tipo de combustível – passaram a considerar o etanol como uma alternativa. 

Vale a pena abastecer com etanol?

Atualmente, o valor médio do litro do etanol é de R$ 5,706, segundo o IPTL. Apesar de ser mais baixo do que o da gasolina, isso não significa que ele seja mais vantajoso, já que, segundo estimativas, tem 30% menos de poder calorífico do que o combustível derivado do petróleo. Sendo assim, ao comparar os dois, o álcool oferece menos quilômetros rodados. 

Outro ponto a ser levado em consideração é que, mesmo tendo o preço mais baixo, o etanol também aumenta quando o valor da gasolina sobe. “Se o preço da gasolina fica mais alto, naturalmente há uma tendência de acontecer um aumento na busca pelo etanol. Assim, o preço do álcool é reajustado, devido à alta demanda”, explica Patrícia Krause, economista da Coface, especializada em seguro de crédito. 

A especialista esclarece que, mesmo o país sendo um dos maiores produtores de etanol do mundo, o preço do produto não é baixo por aqui devido a fatores como a cotação internacional do açúcar. “O etanol vem da cana, cujo plantio tem uma parte direcionada à produção de açúcar e outra à do etanol. Então, o produtor vai comparar a cotação internacional desse produto e, se o preço para exportação estiver maior do que para a  venda para o Brasil, ele poderá optar por vender para fora, tornando menor a oferta do insumo em território nacional”, afirma. 

Além disso, ainda há outro motivo que impacta o preço do álcool: a entressafra. O intervalo entre uma safra e outra, que no Brasil costuma ocorrer entre os meses de dezembro e março, diminui a oferta do produto e, consequentemente, faz o preço aumentar. 

Por essas razões, se considerarmos o valor e a eficiência energética do álcool, que corresponde a apenas 70% da oferecida pela gasolina, ele nem sempre será uma escolha vantajosa, mesmo que “custe menos”. Existe até uma conta, usada desde que os carros flex chegaram ao Brasil, no início dos anos 2000, que ajuda a escolher entre gasolina e etanol. Veja, a seguir, como fazer o cálculo:

  1. Multiplique o valor do litro da gasolina por 0,7; 
  2. Ao obter o resultado, observe se esse número é maior ou menor do que o valor cobrado pelo litro do etanol;
  3. Se o valor for menor, abastecer com etanol não será vantajoso. Caso seja maior, então o álcool é a melhor opção

Basicamente, a função desse cálculo é revelar se o litro do etanol custa mais ou menos do que 70% do valor cobrado pela gasolina, e, desse modo, indicar qual deles vale mais a pena. 

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Além dessa conta, ainda é possível descobrir qual o rendimento para o seu carro. Saiba, a seguir, como fazer isso:

  1. Descubra quantos quilômetros seu carro roda por litro de combustível. Para isso, basta considerar a quantidade colocada no tanque (20 litros, por exemplo) e a quilometragem percorrida (200 km, para fazer a simulação). Divida os dois valores. Neste caso, o resultado seria de 10km/l; 
  1. Faça essa conta considerando dois cenários: o abastecimento com gasolina e com etanol;
  1. Em seguida, divida o resultado obtido com o cálculo do etanol pelo da gasolina (e não o contrário); 
  1. Assim que obtiver o valor, o próximo passo é saber qual custará mais ou menos conforme o preço dos combustíveis. Então, multiplique o valor cobrado pela gasolina pelo resultado do cálculo realizado acima. Se o valor for menor do que o preço do etanol, então o derivado do petróleo é a melhor opção. 

Para que fique mais claro, veja, a seguir, um exemplo: 

O HB20S 1.0 Turbo GD AT 2022, da Hyundai, é um dos veículos mais vendidos em 2021 no Brasil, segundo a Fenabrave. O carro roda, na cidade,  8,8 km/l com etanol e 12,7 km/l com gasolina. Sendo assim, a divisão dos dois valores resulta em 0,69. 

Com esse número em mãos, a próxima etapa é calcular qual combustível vale mais a pena. Então, considerando a média dos preços de cada um deles, divulgada pelo IPTL, o cálculo seria o seguinte: 

R$ 7,471 (média do preço do litro da gasolina) x 0,69 = 5,15

Neste caso, o valor é maior do que a média cobrada pelo etanol, que é de R$ 5,706. Por isso, para este veículo especificamente, o álcool seria mais vantajoso. 

No entanto, vale lembrar que tanto o preço dos combustíveis quanto o rendimento de cada um deles varia conforme o tipo de uso, veículo e valor cobrado em cada região. Por isso, é importante que os motoristas façam os cálculos levando em conta as características do seu carro e da cidade onde vive. 

Fonte: EQL

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